Pequenos pedaços.

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Pequenos pedaços obscenos de nós.
Pequenas lembranças. Tempo curto.
Desejo intenso e poucas possibilidades.
Muitas palavras e nenhum sentimento.
Luxúria sendo confundida com necessidade, e sonhos destruídos por olhares e toques.
O inconfundível comodismo de culpar o outro, sendo abafado por um cuspe de realidade, que lava a sua cara e te obriga a entender que a responsabilidade nunca foi dele.

Mas, a culpa, sim, é sua.

Padrões.

Me faz esquecer o que é sujo, fétido, e ignorar os insistentes pensamentos repugnantes sobre esta vida apodrecida. 

Tão surreal, que estar envolta por seus braços, me faz acreditar na lenda mais ilusória que a humanidade criou, o “ser feliz”. 

Porque você quebra todos os meus padrões, me fazendo desacreditar das impossibilidades. 

 

Conforto.

Eu nunca soube sentir pouco, e sempre tive receio de expressar muito. Sempre fui confusa, nunca soube quando sentir ou o que pensar. Sempre sofrendo em silêncio. Sempre guardando angústias, com medo de falar e não ser compreendida. Sempre evitando tudo, por medo de não ser suficiente. Você me mostrou o lado oposto. Me ouvindo, cuidando de mim, e me trazendo paz.

Eu sei que tudo o que é podre, ainda existe. Tudo o que é imundo, continua nos contaminando. O mundo continua sendo um buraco pútrido, que tenta nos sugar incansavelmente, de forma lenta, para nos ganhar quando estivermos cansados de tanta sujeira.

Mas quando eu deito ao seu lado e você me segura em seus braços, todo o resto parece desaparecer. Meu coração dispara quando sinto sua respiração quente, e meu corpo estremece com o seu toque. Quando você me abraça, eu perco a noção, e só consigo pensar em ficar ali pra sempre, no conforto do seu peito, e ao alcance dos seus lábios, onde a podridão do mundo não pode me atingir e dilacerar meus sentimentos. Onde eu fico em paz… O único lugar aonde essa palavra faz sentido. 

 

 

 

 

Cartões.

Você pensa e pensa, e então descobre que tudo deu errado por sua causa. Você misturou as coisas e se perdeu no meio de tudo. Você se confunde, mas tenta com todas as suas forças clarear os pensamentos e sentimentos. Você não quer continuar sozinha, perdida nesse mundo de culpa e lamentação, você quer apenas achar um caminho, pertencer à algum lugar, qualquer um.

Mas você precisa enxergar, e entender, que você não pode mudar toda essa situação ou quem você é.  As coisas não acontecem por acaso, não são coincidência. Você vive em um lugar onde tudo é muito fácil de se confundir, e não é culpa sua. Você quer ser alguém, você quer dividir isso com alguém, mas nem sempre é possível. Não importa o que você sente por uma pessoa, se não for recíproco, não importa. Não importa se você tem sonhos, não se você não faz nada para alcança-los. Nada disso importa porque nós vivemos em um lugar sujo, onde esperança, amor e felicidade são apenas palavras iludidas em belos cartões. 

Dissimular.

Presa em um buraco pútrido, rodeado de vermes, comendo uns aos outros, sem tempo para pensar e se importar com o que acontece do lado de fora. Os segundos se arrastam e têm o efeito de navalhas dilacerando sua carne, enquanto o álcool corre por suas veias, na esperança de livrar seu corpo e mente de uma inexpugnável dor, invisível aos olhos alheios.

 

Por alguns, isso é chamado de vida.

Fraude.

O repúdio domina seus pensamentos, fazendo com que tenha aversão a si própria.

A visão, antes turva, começa a clarear, e você consegue enxergar sua verdadeira face. Mas você não vê nada além de um rosto sem molde.

Você não sabe o que, pra que, ou porque é.

Talvez, não seja nada.

Talvez nunca vá ser, e apenas se afoga na ilusão de um ser humano.

Na ilusão de um ser qualquer. Ou, na esperança, e no comodismo, de simplesmente ser…